sábado, 14 de fevereiro de 2009

A hora de parar...a análise

Tudo bem, tudo bem… o relacionamento com o analista vai indo de vento em popa. Ele continua sendo útil ao analisando, tentando entender, interpretar e resolver seus problemas e dificuldades emocionais. Existe um laço de trabalho bem formado entre os dois. A análise está progredindo.

Às vezes uma análise vai bem até demais. Fica muito prazerosa para ambos os participantes, que juntos trabalham descobrindo aspectos até então inconscientes na vida mental do analisando (invariavelmente isso também ocorre na vida mental do analista, na medida que ele escuta). Tenho para comigo que é impossível para um analista trabalhar com seu analisando sem trabalhar consigo mesmo ao mesmo tempo. O Dr. Clarence Schulz de Baltimore um dia me disse que depois de uma sessão com um analisando, se ele não tivesse aprendido alguma coisa sobre si mesmo, provavelmente o mesmo teria acontecido com o seu paciente.

Mas, os dois participantes sabem que o relacionamento (será que existe mesmo um relacionamento ou tudo que ocorre entre eles são transferências e contratransferências?…) um dia vai terminar, isto é, o analisando não vai mais necessitar de fazer análise e de pagar o analista. Deverá chegar a hora de ele poder ir viver a sua vida sem esse ônus. Pelo menos essa é a teoria. Assim, as análises devem ser termináveis. Não vou entrar aqui nas análises interrompidas por sentimentos negativos, não trabalhados, entre os dois participantes.

Um paciente meu, que dirigia durante uma hora para vir ao consultório quatro vezes por semana, um dia chegou, depois de encontrar as dificuldades habituais em estacionar o seu carro, e assim que deitou no divã foi dizendo: “Você sabe doutor, eu acho que hoje eu poderia usar melhor esse tempo da análise… no meu trabalho e em coisas que estão me interessando mais”. Falou, mas não insistiu. Eu recebi a mensagem: sua análise estava chegando ao fim. Naquela sessão não comentamos mais sobre o assunto.

Umas dez sessões se passaram até que um dia, ele, no divã, me disse que estava mais do que nunca ficando ciente de quanto a sua análise lhe custava mensalmente (coisa que até então ele nunca tinha percebido ou mencionado…) e que de repente começou a imaginar tudo que poderia estar comprando com aquele dinheiro caso a sua análise terminasse. Eu recebi essa mensagem da mesma maneira: estávamos nos aproximando do fim da sua análise. Mas, dessa vez, eu puxei mais o assunto e nós falamos abertamente sobre o fim de seu tratamento, agora que ele sentia que a sua vida estava sob controle e ele estava indo bem. Concordei que provavelmente poderíamos mesmo estar chegando ao fim de sua análise, mas não fui logo marcando um dia para o término. Os pacientes às vezes nos testam para saber se estamos querendo nos livrar dele quando propõem terminar a análise. Convidei-o a observar o que lhe viria à mente nas próximas sessões.

Eventualmente concordamos com o término da análise e com a última sessão para dali a três meses. Esse paciente estava fazendo uma análise “clássica” (puxa, não vamos entrar nisso agora…), quatro vezes por semana, e eu não adotava o sistema de ir reduzindo o número de sessões semanais para terminar uma análise (psicoterapia é diferente…mas isso fica para depois…). Eu considerava isso uma atuação contra o fim das coisas, a perda, a morte. Continuamos nos encontrando com a mesma freqüência até o último dia, quando nos despedimos, desejando boa sorte um ao outro.

Aí vem o inesperado! Em primeiro lugar, percebi como foi difícil para mim terminar a análise com aquele paciente. Havia um laço emocional formado entre nós, e quando ele não mais veio ao meu consultório eu senti a sua falta como uma perda. Aquilo não estava nos meus planos. E, como logo veremos, nem nos dele.

Anos depois, quando por acaso encontrei com esse paciente, ele me falou do enorme vazio que encontrou em sua vida sem as nossas quatro sessões de análise semanais. Me disse que levou anos para aceitar a perda, que foi muito mais forte do que ele esperava, mesmo quando achava que estava pronto para se separar de mim.

Tem mais, depois do término, em algumas raras ocasiões de stress esse paciente me procurou para uma ou duas sessões e de certa forma nós então sentimos que o relacionamento entre nós – analista/analisando – na realidade nunca iria terminar completamente. Estava alí para ficar.

É por isso que hoje eu penso que uma vez analista, sempre analista. Existem muito poucos trabalhos na literatura da psicanálise que tratam do destino do relacionamento entre analisando e analista depois do término da análise. Eu sempre tenho me interessado por este assunto, embora nunca tenha chegado a uma conclusão satisfatória sobre ele. O que ocorre com o relacionamento entre os participantes– se é que ele existe – no fim da análise?

Provavelmente não podemos generalizar e o término não deve ser igual para todos as análises. Imagino que ele deve variar segundo o grau de psicopatologia, por exemplo. Ou segundo a presença ou não de interesses comuns entre o analisando e o analista. Cada caso seria então um caso. Mas de qualquer maneira, para mim hoje é difícil acreditar que no término de uma análise cada participante possa seguir o seu destino sem que reste nada entre eles em termos de um relacionamento confiável. Conforme poderão perceber, eu não sou dos que acreditam que o lugar do analista “é o lugar do morto” e que ele não existe enquanto pessoa num relacionamento de trabalho com o seu analisando.

Lawrence Kubie, um psicanalista norte-americano de certo talento, um dia me disse numa comunicação pessoal que achava que os analisandos que terminavam uma análise deveriam ser atendidos em grupo por um outro analista para falar do término de suas análises. Uma idéia interessante…

Por outro lado, para tornar as coisas mais complexas e difíceis, eu já terminei analises de anos sem mobilizar muitos sentimentos em mim ou no meu analisando. Eu me lembro do casos que chegaram a ser três ou mais vezes por semana, mas que, quando terminados, me deram a sensação de não termos formado um laço emocional de confiança, como acontece com os outros. Procuro entender o porquê disso sem nunca encontrar uma resposta satisfatória. Ficou faltando alguma coisa entre nós, difícil de se definir. Geralmente esses pacientes não me procuram no futuro, seja para uma visita ou para retomar umas sessões. E nós não sentimos uma grande perda quando separamos. É só uma sensação que eu tenho em certos casos. Mas, por quê?...

Quando eu morava em Baltimore, Maryland, USA eles contavam uma história do meu analista Dr. Francis McLaughlin (eu nunca lhe perguntei se isso era verdade…). Diziam que numa festa na Sociedade Psicanalítica local ele perguntou a alguns colegas quem era o psiquiatra tão inteligente e interessante que ele havia conhecido e que acabara de sair. Seus amigos surpresos lhe perguntaram se ele não lembrava que aquela pessoa havia sido seu analisando durante anos...

Gostaria de ter a opinião de vocês que já terminaram as suas análises. Como vocês lidaram e lidam com isso? Acho que isso seria uma discussão interessante sobre um tema tão pouco explorado mas que a meu ver continua sendo muito importante para todos nós, analistas e analisandos.
03/08/08

37 comentários:

  1. Estou no fim de minha terapia (completarei 9 anos de sessôes semanais (uma vez por semana) daqui há 3 meses). Já avisei meu terapeuta que me sinto pouco motivada para continuar.
    Acho que ele já me ajudou bastante e iniciou um processo de elaboraçâo interna que deve continuar comigo sozinha. Me sinto bem atualmente e acho que chegamos a um ponto em que começamos a andar em círculos, sem nada de novo. Cá entre nós, tornou-se uma conversa (muito cara). Ele concordou. Nâo acho que haverá a quebra de um processo, apenas a continuidade de uma outra forma. Amadureci muito e estou ciente que conflitos internos sempre existirâo, mas agora quero tentar sozinha e espero conseguir. Boa sorte para mim.

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  2. Concordo com voce... esse processo de intrspecção que voce aprendeu na sua analise vai continuar com voce sozinha. Pelo que voce escreve acho que voce já está pronta!

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  3. Eu faço terapia ha mais de dez anos, porem nao de forma sequenciada, teve bastante intervalos. Mas de vez em quando retorno (como fazendo um afago pra mim mesma). Eu mesma me dei alta quando percebi que a coisa nao ia ter fim, como disse a fátima, percebi andando em círculo.
    Mas digo mesmo, valeu tudo que gastei, tenho hoje um madurecimento emocional excelente, aprendi caminhar sozinha.

    Valeu amigão, abç

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    1. Que coisa boa ´para voce. Acho que as pessoas que fizeram terapia geralmente ficam mais em contato consigo mesmas e mais senhoras de si. Voltar a fazer terapia de vez em quando é perfeitamente aceitável e as vezes necessário.

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    2. Eu iniciei a terapia e correu tudo muito bem. Minha relacao com meu terapeuta tb era otima. Quando decidi finalizar, ele me disse que foi um choque e que nao tinha gostado...e a sessao terminou com ele me dizendo como se sentia me analisando....achei um excesso! Tinha a ideia de que o terapeuta deveria conter mais as suas emocoes ao cliente...nao sei.

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  4. Olá Marcio, tenho feito terapia 2x semanais desde abril parando em junho para viajar. Minha Terapeuta as vezes fala em alta de uma maneira sutil. Como eu nao acho que estou bem e ainda tenho muita coisa a trazer no processo fico ansiosa e com medo que ela esteja querendo se ver livre de mim. Nao consigo falar isso abertamente com ela. Que você me aconselharia?
    Abraço

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    1. Falar clara a abertamente. Um terapeuta deve ser capaz de ouvir e procurar entender tudo que o paciente lhe trás.

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  5. Meus caros, esse não é um assunto tão fácil de responder. O termino de analise se dá por duas vias, uma pela identificação com o sintoma, uma outra pela quebra da fantasia, isso significa dizer que a queda da transferencia esta relacionada a queda da fantasia, não esqueçam que arte de conduzir de uma analise, tepende do inconsciente do analista, na verdade o analista precisa saber mexer com a transferencia, isso implica em toda a cena transferencial. Gosta da ideia de um inconsciente pela linguagem, ou seja um sujeito barrado em si, pelo desconhecido que se revela por de traz de uma comportamento, essas sutilezas certamente se presentificam na cena terapeutica, por intermedio como ato de fala, onde o sujeito de revela. É um processo longo, sou cliente a pelo menos 7 anos em analise lacaniana e tenho outros 5 anos de analise yunguiana, são completamente os modos de acessar tecnicamente a analise. Hoje sou um terapeuta da psicomotricidade, e vejo o quanto meu autoconhecimento me ajuda na minha clinica, hoje percebo a minha analise como um espaço de crescimento pessoal muito grande, concerteza sou uma pessoa completamente diferente depois da minha análise, recomendo a todos! Abraços.

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    1. Que bom que voce teve uma boa experiencia. Voce não está sozinho. Tem muita gente que foi ajudado pela psicanalise e psicoterapia e não existe evidencia que uma "escola" seja mais eficiente do que a outra".

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  6. Oi, Márcio,
    Fazia terapia há 2 anos esporadicamente com uma psicóloga.
    O evento que rompi foi muito inesperado para mim e inusitado, por isso, resolvi relatar.
    A decisão foi tomada depois que fui furtada dentro da clínica (percebi um pouco antes de entrar na sala), fiquei chorando uns 10min compulsivamente (foi um perda significativa para mim, pois havia menos de 15 dias que o havia comprado e era um valor significativo), ela não falou uma palavra.
    Quando decidi ir embora pois não ia adiantar ficar ali chorando, ofereci o pagamento e ela aceitou.
    Ali se deu o rompimento, o aceite do pagamento, a indiferença pelo roubo dentro da sua própria clínica e sua não crença que o furto ali tinha se dado.
    Faz mais de 2 meses que não a procuro e nem ela a mim. Não sei como falar ou se preciso avisar que não quero mais fazer terapia com ela. Há alguma regra/praxe para estes "términos"?

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    1. Acho que voce deve trocar de terapeutas sem maiores explicações.

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  7. Há 8 anos só tomo medicação, mas, sinto necessidade urgente de fazer minha terapia, pergunto a quem já fez por tantos anos se eles encontraram o caminho para lidar com seus próprios problemas.

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    1. raya, tudo é tentativa e erro. Não tem geito de responder à sua pergunta. O que é bom para um as vezes não é para outro. Voce irá encontrar as respostas se tentar tento cuidado de não continuar com quem voce achar que não está ajudando.

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  8. Eu faço analise ha 10 anos, eu acho que eu ja estou é chegando na neurose da analista pois nao faz mais sentido eu ir lá e ficar falando. Nao estou com as mesmas questoes que me motivaram a analise. Gostaria de finalizar esse processo. Acho que fantasio sobre isso, mas na verdade comecei a entender que eu que tenho que tomar essa decisao, em vez de esperar pela alta passivamente. Planejo trabalhar algumas sessoes sobre isso para que seja um processo bom para mim e para o analista.

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  9. Fiz análise com um analista durante dois anos e terminou assim como começou. Mas, agora estou com outro analista e estou com uma relação de amor e ódio com essa pessoa. Pois, às vezes ele me diz coisas que parece que está com paciente errado no consultório. Em outras, sinto-me tão segura que não consigo romper o laço. Estou meio perdida.

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  10. Já faço a psicoterapia há 4 anos , e qd comecei meu analista era estagiário em sua faculdade. Ele se formou em dois meses e eu optei por continuar com ele, mesmo sabendo que seria dificl ter mais uma conta mensal para pagar, nos vemos uma vez por semana. Fico muito a vontade com ele , chorava muito o inicio em quase todas as sessões.No final do ano passado me cansei ou achei que ja estava boa, e interrompi o tratamento,, dessa vez ele nao insistiu pra eu continuar como das outras xx que tentei parar. Ele me deixou ir. 3 meses depois lá estava eu de volta implorando para que ele voltasse depressa do feriado de carnaval, pq eu precisava muito dele. Sinto que ele conhece a minha alma no ponto mais profundo, e sinto que tenho uma ligação com ele que temo ter fim um dia. Ao mesmo tempo temo estar dependente da terapia. Gosto dele e gosto de fazer as sessões. Não me imagino contando toda a minha intimidade para outro profissional.

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    1. Rogéria, este temor pelo fim da terapia dá-se em razão de que ainda seja necessário as sessões. Você deve ir perdendo este medo à medida que vai se sentindo melhor, sem os medos que à fizeram iniciar a análise. No mais, sempre que achar necessário, não vejo problema em voltar a procurar o mesmo analista, uma vez que sua relação (paciente-analista) era satisfatória. Se cuida. Abs.

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  11. Poxa fiz terapia por quase cinco anos e senti há duas semanas uma rispidez na hora que ela falava das minhas fobias e de como eu chorava por qualquer coisa. Nao estava normal. Eu me peguei com medo de que ela me abandonasse e acabasse as sessões. Hoje ela encerrou e me deu alta. Chorei muito e estou muito triste. Tenho sindrome do pânico e agorafobia. Estou muito melhor tendo alguns problemas de ansiedade ainda. Mas o sentimento que fui enxotada mesmo ela falando que eu poderia dar um tempo e voltar que ela estaria ali. Estou arrasada!

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  12. Faço terapia a 5 anos no inicio foi muito bom tive progressos inacreditáveis , tinha uma relação de muito afeto com minha Analista tinha idealizações lindas a respeito de sua pessoa , até descobrir coisas "repugnantes" de sua vida pessoal a ponto de me perguntar : poxa é essa a pessoa que confio minha vida !!! e desde então "nossa relação" se transformou em brigas e desentendimento , a ponto de ouvir dela que o tratamento analítico é um contrato de risco ,pode haver que não de certo ou fracasse ... o que me levou a pensar que , a única garantia é que independente de resultado o analista vai receber seus honorários . Ora, como alguém que me aponta caminhos para se livras do álcool e drogas , tendo como primeiro alicerce neste caminho a "relação terapeutica " anda por caminhos piores que os meus ,pois vim a descobrir que fuma , cheira , bebe , frequenta lugares "podres" em companhia de pessoas suspeitas .Ainda me disse após meus questionamentos que : isso é problema meu ...pode um cego guiar outro cego ?

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    1. Relaxe, psicanalista não é perfeito. Aproveite para transformar essa resistência em identificação. Você considera a adicção como um sintoma que às vezes não o é para sua analista. Ela não tem que ser exemplo, mas vc precisa se ver nela.

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    2. Concordo... psicanalista não é perfeito , nem deve ser seguido como exemplo , mas...lidar com sentimentos do outro , lidar com a verdade , ser idealizado como exemplo , exige no mínimo uma vida pessoal ética , e sinceramente quem não ficaria decepcionado em saber que seu analista longe de seu consultório , longe de sua fala , longe daquilo que imaginamos, no sentido do saber , do exemplo , do apoio , é alguém que faz ou vivencia coisas que lutamos para nos livrar ...um exemplo : eu sou um psicanalista chega ao meu consultório alguém que quer se livrar da bebida e eu sou um beberrão , seria ético da minha parte ? e se logo após meu paciente o qual está lutando para se livrar do vicio descobrisse que seu psicanalista bebe até gasolina , claro são os problemas do paciente que estão sendo tratados ali , mas qual ser humano não ficaria indignado , decepcionado ? enfim qualquer tipo de terapia sendo bem conduzida , havendo empenho do paciente da resultados extraordinários , mas antes de tudo acredito eu, o profissional tem de ter uma vida pessoal no mínimo ética, decente , porque falar até papagaio fala , até canta , será que Jesus Cristo teria o valor que tem , se tivesse levado uma vida contraria daquilo que ele ensinava ?

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    3. Perfeito ��

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  13. Faço psicoterapia há 6 anos. estou em análise há 4 anos e meio + ou _, afinal o tempo é lógico na análise. Sinto que estamos chegando ao término, porém, surgiu em mim o desejo de ser Analista, estou estudando, participando de grupos e iniciarei uma faculdade de psicologia para poder atender. Mudou minha vida e quero poder permitir isso a outras pessoas.

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  14. Não sei o que dizer da minha análise. Começou por sugestão do terapeuta (meu psiquiatra), dizendo que eu precisava de análise e ele estava disposto a fazer. Aceitei. Dois anos depois, pedi para parar, pois fui aposentada e meu dinheiro não dava mais para pagá-lo. Ele aceitou a parada, sem questionar nada. Falei que quando tivesse condições financeiras de novo eu voltaria, e ele disse que sim. Continuei sua paciente como psiquiatra. Daí, senti necessidade de voltar a fazer análise, e estava em condições financeiras melhores. Falei com ele na consulta de psiquiatria, e ele disse que está fazendo mestrado, sem tempo, e não faz mais análises, só com alguns pacientes mais antigos. Me senti rejeitada e abandonada. Ainda me sinto.

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    1. Vai ver ele quis dizer que estava apenas dando sequência nos que já estão em análise e clientes "novos" (apesar de antigo), já não conseguia atender por questões de tempo, sei lá. A questão muitas vezes é como dissemos as coisas que queremos, que dependendo da forma, pode tanto consolar quanto magoar. Mas atenha-se basicamente de que, por hora não dá, sem ruminar a forma dita ok ? Se cuida.

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  15. Complementando, quando começou a fazer minha análise, o psiquiatra estava no início da carreira dele, e precisando de pacientes. Depois que não precisava mais, já estava mais sólido, me "descartou". Pra mim, isso está doendo muito.

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  16. Olá, gostaria de saber se vc poderia me passar seu email?

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  17. Faço análise há 10 anos. Fiz duas interrupções nesse período. Já falei para minha analista que quero parar. Na ultima vez ela disse que não vai deixar. Acredito que houve a queda da fantasia...tenho me sentido assujeitada nessa posição.

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  18. Teria como entrar em contato com o Dr. Marcio Vasconcellos por e-mail ou rede social? Tenho um comentário interessante sobre o assunto abordado.Porém, não gostaria de expor aqui.

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  19. É normal sentir um vazio depois da sessão de análise? Como se você nunca tivesse tempo de falar as coisas que realmente importam?

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  20. Dr. O que podemos dizer ao terapeuta, de forma clara que não vamos mais continuar a terapia, porque as vezes já aconteceu de eu ter parado e havia muitas perguntas do porque de querer parar. O que o senhor sugere dizer? Como fazer pra que não insistam? Obrigada!!

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    1. Oi, sou psicanalista. De fato não insisto, mas fica a preocupação de que o cliente não estaria abandonando num momento de maior relevância, que pudesse ainda acarretar num retrocesso. Por isso talvez alguns psicanalistas podem não parecer empáticos com a decisão do cliente em desistir, mas pode acreditar que continuamos à torcer pelo bem estar deles, deixando a "casa aberta" pra quando resolverem voltar.

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  21. "Aí vem o inesperado! Em primeiro lugar, percebi como foi difícil para mim terminar a análise com aquele paciente. Havia um laço emocional formado entre nós, e quando ele não mais veio ao meu consultório eu senti a sua falta como uma perda. Aquilo não estava nos meus planos." Este parágrafo mostra bem o que a psicanálise, longe de desenvolver a autonomia das pessoas, as transformam em dependentes de seus analistas. Se analista e analisando sofrem tanto assim numa separação, só posso concluir que são dois boçais completamente imaturos e incompetentes para a vida adulta. Aliás, até hoje me pergunto como tem gente que paga pra fazer análise.

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    1. Oi, permita-me um adendo. Com certeza isso foi caso isolado. O que acontece é que tem clientes em elevado sofrimento (e também carência), diante provavelmente do distanciamento de apoio e afetivo de familiares (se não outros). Nesses casos o psicanalista passa a ser a única pessoa que realmente à colhe, ainda que para ouví-la (coisa que muitos já não fazem). É natural que por sua carência excessiva, acabe confundindo a atenção do psicanalista em algo mais "próximo". Agora, compete ao analista a perícia de interromper essa "ligação" porém, se machucá-la mais do que já está, e saber conduzir a análise, de forma à mudar o teor do diálogo, enfatizando os atos falhos, que podem ser os responsáveis por confundir conceitos e sentimentos. Espero ter elucidado sua dúvida. Abs.

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  22. Fiz terapia cognitivo comportamental por 1,5 anos, numa fase complexa de vida, na doença de meu marido. Após cerca de um ano, conversamos sobre interromper o trabalho em alguns meses. No entanto, quando retornamos ao assunto, a doença estava incontrolada e, diante das circunstâncias do meio, continuamos com as sessões. Após a morte, ainda tive oito meses de sessões, menos pelo luto, mais por questões familiares acessórias. Até que um dia, resolvi me mudar de país e retornar ao Brasil. Diante destes fatos, tivemos duas sessões de conversas francas, sobre meu estado, as possíveis perspectivas de tantas mudanças e o fato de que uma interrupção era, não só possível, como benéfica. Diante da perda, era necessário que eu experienciasse o luto com calma e acolhimento no meu retorno; vivenciasse a dor e, quando preparada, retornasse à terapia, se fosse o caso. Eu mesma não tinha certeza naquela altura desta via, mas minha terapeuta me pareceu mais confiante e acredito que a pausa tenha sim me dado algum descanso que há muito precisava. Retomei a terapia um ano e três meses depois e faço já há dois anos e meio. Faço análise, com a linha do Freud. Fui por sentir que havia oportunidade de ser feliz em outros relacionamentos, mas que minha paralisia e medo eram gritantes. Desde o início, consegui retomar o trabalho, mudar da casa dos meus pais, ter mais de um relacionamento (embora suas complexidades) e sair de uma depressão, dormir sem tantos pesadelos. Hoje ainda sofro com instantes de ansiedade, mas identifico o que ocasiona e já os aceito. Os pesadelos são menos recorrentes e a mim me parece claro quando eles virão (momentos específicos de stress, como revisitar onde morei há uns dois meses). Eu também chego até a apreciar que eles existam, porque há também sonhos e começo, enfim, a ter uma mente que transcende e também tem momentos de descanso. Nesta segunda fase, tenho pensado em me desligar da terapia, com vagar. Eu gostaria de poder ter uma pausa de análise para vivenciar momentos, aplicar conhecimentos e viver sem tanta consideração intelectual em todos os instantes que foram difíceis, mas aconteceram. Aceito-os como parte da minha existência. Percebi no texto acima muitas semelhanças com o diálogo de término que tentei conduzir com minha terapeuta, mas não tive o mesmo apoio e compreensão. Por vezes, desconfio que sua necessidade é maior do que a minha. Eu não acredito que um analista venha a ser sempre o analista e esta relação seja eterna. Não é o que me proponho e acho salutar este desdobramento e término de relação, aliás, como de tantas relações que temos, terminam, se transmutam ou perpetuam-se. Perpetuar uma relação de análise não é uma ambição que tenha.

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  23. TIVE UMA ANALISTA ELA DE INICIO ME PASSOU MUITA CONFIANÇA E INCISTIA COM A ANALISE, ELA ME ATENDIA CORTESIA EM UM AMBULATORIO PARA POBRES...AOS POUCOS ME LEVOU PARA O CONSULTORIO..NA SEXTA SESSAO ELA FALOU EM PAGAR A TERAPIA ...EU NAO TINHA CONDIÇOES DE PAGAR...JA FAZ 3 ANOS QUE SAI POREMNAO CONSIGO PARA DE PENSAR NESTA ANALISE...PARECE QUE NAO FICOU NADA TERMINADO SENTI MUITA VERGONHA DE SER COBRADA... EU PRECISO DE AJUDA E NAO SEI O QUE FAZER...

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