sábado, 14 de fevereiro de 2009

O Psicanalista e o…dinheiro

Parece que os primeiros analistas eram modestos e não muito ambiciosos em termos materiais. Quando Freud descreveu o seu método de tratamento, ele certamente deixou claro que era uma coisa demorada, com sessões de cinqüenta minutos, quatro ou cinco vezes por semana. Ele também achava que o paciente devia usar o divã. Isso tudo para facilitar o que ele considerava crucial no processo psicanalítico: o desenvolvimento e a resolução na Neurose de Transferência.

Por muitos anos os psicanalistas seguiram suas recomendações e confirmaram que elas faziam bom sentido. Como me disse numa ocasião um velho analista de Baltimore: “Nós temos muita satisfação na nossa profissão, apesar dos poucos ganhos materiais.” Quando eu fiz a minha primeira análise em Baltimore, USA, com um analista que acabou sendo o presidente da Associação Psicanalítica Americana, ele vivia uma vida modesta, morava num apartamento simples com a sua esposa e tirava férias duas vezes por ano: no mês de agosto e em dezembro para ir ao Congresso da Associação Psicanalítica Americana em Nova Iorque, por uma semana. Eu tive sessões quatro vezes por semana durante os três anos e meio em que fiz análise com ele.
Quando iniciei a minha psicanálise, eu era um residente em psiquiatria e ganhava muito pouco. Depois de uma entrevista e de um período de psicoterapia semanal, ele recomendou a psicanálise a um custo muito baixo por causa de minha situação financeira. Com o tempo, na medida em que consegui ganhar mais no meu trabalho, o preço das sessões foi subindo. Claro que tudo descontado do Imposto de Renda. No fim de cada mês ele me dava sua conta no seu papel timbrado, especificando o número de sessões e o custo total. Na sessão seguinte eu lhe pagava com cheque nominal.

Comparemos agora esse cenário com o que eu encontrei e vejo até hoje em Belo Horizonte. Acho que não existe um analisando aqui que faz psicanálise três vezes por semana. Não digo nem quatro. O que as pessoas chamam de psicanálise aqui lá seria chamado de Psicoterapia Psicanalítica. Geralmente são sessões uma vez por semana ou até menos, quase sempre bem remuneradas. Entre a minha experiência lá e o que eu percebo aqui, há uma grande mudança. Ao chegar a Belo Horizonte em 1974, primeiro eu percebi, e achei muito estranho, como os psicanalistas eram muito ambiciosos em termos de ganhos materiais. A psicanálise chegou aqui e começou a ser difundida como um procedimento sempre muito caro. Com certeza isso era racionalizado como sendo “terapêutico”, porque “assim os analisandos iriam valorizar mais as suas sessões e trabalhar mais assiduamente nelas”. Quase todos os analistas cobravam dos seus pacientes os meses em que tiravam férias e pelo menos um cobrou de sua analisanda o tempo em que ele esteve fazendo uma viagem à Europa.

Fiquei impressionado com a capacidade dos meus colegas aproveitarem da transferência e de racionalizar a razão dessa cobrança excessiva como sendo algo muito bom… “para o analisando”. Imagino que como a maioria dos analisandos não poderia nunca pagar sessões quatro vezes por semana a esses preços, a noção de psicanálise em Belo Horizonte foi mudando. Passou a não ser teoricamente importante a freqüência das sessões. Isso era considerado uma bobagem, pois o que era mais importante era o que se passava entre o analista e o analisando. Mas não apenas isso foi mudando. Os analistas mais procurados começaram a fazer grupos (sempre mais lucrativos em termos de horas trabalhadas), às vezes misturando-os com sessões individuais. Para resumir, a psicanálise aqui foi virando uma bagunça que passou a responder, acima de tudo, aos anseios materiais inconfessáveis dos psicanalistas.

Antes de prosseguir, deixem-me esclarecer que para mim a psicanálise inventada pelo Freud, com sessões de cinqüenta minutos, pelo menos três vezes por semana, no divã, é necessária, mas se aplica a um número muito pequeno das pessoas que nos procuram em busca de ajuda. A grande maioria de nossos pacientes pode e deve ser tratada com uma combinação de psicoterapia psicanalítica e medicação psiquiátrica, quando isso se torna necessário. Entre esses, muitas vezes a família e/ou o cônjuge deve participar (já falei sobre isso num dos meus artigos anteriores).

Para complicar, também depois apareceu Lacan. Claro que “com tudo muito bem embasado teoricamente” – nem sempre de uma maneira que o cidadão comum pudesse entender ele acabou ajudando os analistas a receberem em dinheiro cada sessão (lá se vai a dedução do imposto…) e foi além. Nem as sessões que até então duravam cinqüenta minutos permaneceram como tal.

Apareceu um tal de tempo lógico que permitia ao analista encher a sua sala de espera e decidir quanto tempo ficar com cada analisando, que pagava sempre a sessão integral. Tudo isso continuando a ser chamado de psicanálise.
É claro que os analistas ambiciosos adoraram essas mudanças teóricas e práticas porque até então, com sessões de cinqüenta minutos, eles estavam limitados a certo número de pacientes que podiam atender num dia.

Vamos fazer os cálculos. Um analista com pacientes quatro vezes por semana, em sessões de 50 minutos, trabalhando 40 horas por semana, pode ter no máximo dez pacientes. Para poder manter esses pacientes, ele teria de cobrar uma quantia possível para os seus bolsos. Claro que aí haveria uma variação, dependendo dos rendimentos e reservas de cada um. Mas, para efeito de nossos cálculos, vamos imaginar que o analista cobrasse 100 reais a consulta. Isso daria quatrocentos reais por semana e 1800 reais por mês (quatro semanas e meia). Multiplicado por dez pacientes, esse analista teria um rendimento de 18 mil reais por mês; nada mal para um país onde o salário mínimo é em torno de 500 reais por mês. Vamos que ele cobrasse um pouco mais, selecionando uma clientela mais afluente. Poderia cobrar 150 reais por sessão e receberia no caso 27 mil reais por mês
Agora comparem isso com os analistas “bem sucedidos” que cobram mais do que isso, com sessões uma vez por semana. Passam a poder ter quarenta pacientes, digamos pagando, por baixo, 200 reais por sessão. No fim do mês… 32 mil reais. Isso se cada sessão tiver cinqüenta minutos. Pois bem, com o tempo lógico, então esse analista pode ter dois pacientes por “hora” de cinqüenta minutos e aí já vamos para 64 mil reais por mês… salário de gente muito afluente. A pergunta inevitável e muito importante é se esse tipo de psicanálise é bom para o analista, para o paciente ou para os dois.

Será que esse procedimento deveria ser chamado de psicanálise? Não estou nem falando dos analistas que vem de fora e que marcam três sessões por dia para os seus pacientes, atendendo-os durante os poucos dias que ficam aqui… Ou dois analisando que procuram um analista lá fora e também são atendidos duas ou três vezes por dia para justificar os seus gastos com a viagem. Sempre a mesma pergunta: bom para quem?

O que eu estou querendo dizer é que, na medida em que os analistas ficam muito ambiciosos em termos materiais, eles acabam matando a galinha dos ovos de ouro. Acabam ficando sem pacientes realmente psicanalíticos e aí se queixam disso. Um famoso analista americano, numa ocasião, fazendo uma conferência em Londres, reclamou que os pacientes psicanalíticos estavam desaparecendo nos Estados Unidos. Ao que um analista britânico retrucou: vocês já experimentaram reduzir o custo das sessões?

Sem dúvida a psicanálise tem perdido o prestígio, e os pacientes potencialmente psicanalíticos estão procurando tratamentos rápidos, geralmente baseados em medicação psiquiátrica, com consultas infreqüentes. Minha impressão é que isso ocorre por causa do custo das consultas dos psicanalistas e até também dos psiquiatras.

Já sei. Já sei… já antecipo os argumentos querendo anular o que eu venho falando até aqui. Por exemplo, o número de sessões não tem nada a ver. É coisa burocrática não relacionada com o processo psicanalítico. Freud falou isso porque naquela época ele ainda não conhecia as novas teorias, especialmente as de Lacan. E que o tempo lógico é muito importante para cortar o blá-blá-blá do paciente e para discipliná-lo a realmente falar das coisas mais importantes. Ou, com os nossos melhores conhecimentos e experiências, hoje podemos fazer as mesmas análises que Freud e seus seguidores faziam, com menor número e duração das sessões. Entendo, considero todos esses argumentos, mas não estou convencido. Qualquer terapeuta que se preze sabe as diferenças no andamento da psicoterapia ou psicanálise com a mudança do número e duração das sessões.

Mas, vamos deixar essas coisas para os leitores julgarem. Escrevo-as, como faço sempre nesse campo tão complexo, a lápis.

58 comentários:

  1. Caro Márcio, excelente artigo, parabéns. Você fala muitas verdades, com sinceridade e coragem.
    abs
    Ana Hounie

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  2. Obrigado Ana, sua mensagem me encoraja a continuar escrevendo.

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    1. Márcio, você ainda atua como psicanalista?

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    2. Márcio, você ainda atua como psicanalista?

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  3. Adorei! Eu tinha percebido isso mesmo... As pessoas são imediatistas, querem resolver com a psicanálise problemas de anos em 2 meses e os psicanalistas por sua vez, em nome talvez de uma "elite" de profissionais, cobram preços exorbitantes. Valorizo o trabalho do psicanalista, pois faço parte do grupo e sei que é um trabalho que requer paciência e dedicação, mas devemos ter cuidado para não supervalorizar o trabalho nem "elitizá-lo". Já ouvi gente dizer que psicanálise é "coisa de rico". Por que será? Tirem suas conclucões.
    Fernanda Peris.

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  4. Excelente texto! Sou psiquiatra e, durante a minha formação psicanalítica visitei alguns psicanalistas com uma proposta para fazer 03 sessões semanais e quanto eu poderia pagar por isso. Encontrei várias pessoas com este propósito de cobrança altíssima pelo horário e nenhum interesse no meu desejo de ser analisada 3x por semana até encontrar uma pessoa séria que valorizou e aceitou aumentos graduais á medida em que eu fui aumentando o meu salário.
    JULIANA GOMES PEREIRA

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    1. As vezes psicanalistas são muito ambiciosos financeiramente. Pena.

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  5. Conheco psicanalistas em Sao Paulo que cobram 400 reais a sessao (50 minutos), sao otimos profissionais, atendem clientes be classe alta, mas 400 reais e muito...

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    1. Não sei se exista uma correspondencia ntre o que cobram e competencia.

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  6. Caro doutor,
    Gostei muito da sua colocação, corajosa inclusive.
    Noutro dia comentava que estava pensando em fazer psicanálise, e uma psicóloga amiga disse imediatamente: "nossa, você vai ficar rica! mas não sei se você vai aguentar a formação, eles são muito loucos" - os futuros psicanalistas... Quando penso em fazer a formação não penso no "quanto" financeiro e sim no "quanto" qualitativo, do entendimento da vida.
    Parabéns!

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    1. Não existe conflito entre querer fazer um bom trabalho e ser bem remunerado por isso. Mas deve haver um equilibrio entre as duas coisas...

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  7. Lara Maria Vasconcelos6 de junho de 2011 02:42

    Olá Dr. Márcio!
    Sou estudante de psicologia e estou fascinada com seus artigos.
    Quanta sensibilidade! Me identifiquei muito com esse artigo, pois faço análise 5 vezes na semana e sei como isso é visto como algo incomum ultimamente por grande parte dos profissionais.
    Parabéns! Espero ansiosa por novos artigos!

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  8. Olá, Márcio! Meu nome é Suelem, sou Bacharel em Psicologia e estudante de Formação em Psicanálise. acabei de conhecê-lo através deste artigo e fiquei encantada. Parabéns!

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  9. Grande explanação! Sempre me perguntei nesses meus quase 20 anos de análise se eu estava fazendo terapia ou enriquecendo meus terapeutas e sempre que lancei esta pergunta eles diziam assim: Quando você realmente quiser fazer psicanálise me procure, ou seja, a culpa é sempre do paciente já fragilizado.
    Parabéns!

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    1. Desde muito eu dou muita atenção so que os analisandos pensam e sentem sobre seus analistas. Geralmente estão certos e sabem se vale ou não apenas continuar. Mas às vezes não acreditam no que sentem e percebem e vão ficando mesmo sabendo que a coisa não está andando.

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  10. a psicanalise é cara, por que a formação do psicanalista é cara! o sujeito fica varios anos pagando alto, e depois se junta ao clube e passa a se "beneficiar"! agora , isto é um ideia. se uma pessoa procura analise ou psicoterapia o melhor motivo é o sofrimento psiquico! e se o sofrimento é grande, as pessoas estão dispostas a pagar caro! lei do capitalismo! oferta: procura, penso que estes psicanalistas cobram caro por que podem!
    espero criticas interessantes!

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    1. Na verdade, cobram caro porque nao respeitam o principio basico da Analise: a transferencia/contra-transferecia. Me pergunto se realmente estao analisando seus pacientes.
      Desculpe a falta de acento. Nao os encontro no teclado de Alemao.

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    2. Acho que quem escolhe ser um psicanalista não deve ter grandes ambições economicas e sim fazer um trabalho gratificante que lhe permite ter um ganha pão modesto. Mas às vezes não é isso que eu vejo. Ai fico incomodado com essa profissão.

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    3. Na verdade doutor, qualquer profissional tem o mesmo direito de ser ambicioso, não devemos tentar impor regras. O Psiquiatra ganha muito bem, obrigado, o psicanalista tb pode! Não há um conceito de Freud quanto ao limite pago em uma psicanalise, há regras em outros aspectos para que seja feita a psicanalise corretamente. E por mais que Freud tenha criado a psicanalise, não existe só sua linha de pensamento.
      Abraços.

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  11. Não se deseludão ainda exintem psicanalistas que não são mercenarios, eu mesmo tenho um que me atende com dinheiro ou sem ha seis anos,e é muito serio ,dedicado e competente.Eu sou de BH.

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  12. De fato. Sou analisado e embora tenho conhecimento de que se trata de técnica, não me sinto bem com o pagamento em dinheiro a cada sessão e, principalmente, me sinto frustrado quando saio de casa para ir a análise e essa dura 20 minutos em ocasiões que, às vezes, estou com necessidade de falar mais alguma coisa ou completar o que foi dito. Assim, mesmo sabendo de se tratar de técnica, acabarei por trocar de analista. O sentimento de enganação fala mais alto.

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    1. Amigo, sinceramente me responda: você acha que sessões de vinte minutos são uma "técnica"? Só se for técnica de ter mais analisandos por dia e assim botar mais grana no bolso. Não pense que não sei como uma parte considerável dos psicanalistas age: eles são movidos única e exclusivamente a dinheiro e ficar à frente de um consultório de psicanálise é altamente lucrativo. Fiz análise durante muito tempo, sempre com a impressão que eu estava ali fazendo papel de trouxa. Não importava o quanto eu falasse, minha analista NUNCA disse UMA PALAVRA. Sei que soa exagerado mas é a mais pura verdade. Ou seja, uma terapia que diz que "cura pela palavra" é feita por pessoas que muitas vezes não falam nada.

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  13. Eu sempre tive vontade de fazer análise, mas sempre ouvi dizer que é "coisa de rico". De certa forma é sim, até por que a grande maioria das pessoas realmente não sabem o que é a Psicanálise.

    Já fiz terapia com outra abordagem e a terapeuta era excepcional e eu pagava pouco mais da metade do valor dos honorários. Quem sabe eu encontro um analista assim.

    Já basta o sofrimento que a gente passa com a transferência na primeira entrevista, e ainda tem que ouvir um R$ 250,00 na cara sem o menor pudor!!!

    Ótimo artigo!

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    1. O primeiro fenômeno que ocorre numa sessão de psicanálise é a tranferência. O dinheiro que está no bolso do analisando é transferido para o bolso do analista.

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    2. Acho que isso deve ser negociado com muito cuidado e confio que o analisando acaba tendo uma ideia do que é mais importante para o seu analista: o dinheiro ou o trabalho.

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  14. Muito pertinente seus questionamentos sobre o tema. Minha psiquiatra recomendou psicanálise para minha doença. Além de enfrentar a dor de cada dia, estou numa intensa busca por um psicanalista que cobre mais barato: sou estudante e pertenço a classe média.
    Eu entendo cada profissional tem suas contas para pagar e também sei que tem psicanalista que negocia, mas digamos que pelo menos um de seus pacientes seja atendido por um preço bem reduzido, já ajudaria muita gente. Este deveria ser um tema de discussão nas associações e sociedades psicanalíticas de qualquer lugar!
    Sou de Campinas/SP, se alguém souber de um psicanalista que cobre em condições reduzidas, ficaria muito grata!
    Atenciosamente!

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    1. Se voce continuar procurando acabará encontrando um que aceite o que voce pode pagar mesmo que seja com menos sessões por semana.

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  15. Eu concordo com muita coisa... Minha analista é lacaniana e eu vivo essa constante questão do tempo lógico. Já cheguei a entrar e sair do consultório pq ela apontou um "ato falho" que eu não vi no início da sessão. Eu entendo a ideia de não estabelecer um tempo de duração para a sessão, mas acredito que deve haver um limite. Como isso não é uma constante, eu não reclamei. Mas se continuasse a acontecer, eu ia reclamar, pq não acho justo. Eu pago pouco pq estou no início de minha carreira, mas mesmo assim, não me sinto bem qdo a sessão é expressa. Faço duas sessões por semana e ela pede que eu pague se eu falte. Até aí tudo bem. Ela nunca me pediu que eu pagasse pelas faltas dela, mas se pedisse, eu não aceitaria. No meu modo de ver, é uma questão de princípios... Mas isso também depende do paciente. Eu percebo que a psicanálise mantém uma distância muito grande entre o profissional e seu paciente. Mas a gente precisa encontrar o espaço.

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    1. Minha filha, o "tempo lógico" é uma forma de tomar dinheiro dos analisandos que têm dificuldade em fazer raciocínios lógicos e sacarem que estão fazendo papel de otários. Vê se acorda, Lacan foi um dos mais cínicos vigaristas do século XX. Leia o livro "Imposturas intelectuais" do físico e pesquisador Alan Sokal e veja como Lacan era de uma cara de pau indescritível: seu discurso era monstruosamente oco, verborrágico e ilógico. Seu pensamento era absolutamente ininteligível, não porque de uma profundidade inabarcável pelos "simples mortais", mas porque propositadamente não fazia o mais mínimo sentido. Diante de um discurso assim as pessoas imediatamente julgam que estão na frente de um gênio, cujo pensamento é praticamente impenetrável, e daí para abrir a carteira é um passo. A psicanálise em geral e a lacaniana em particular só são levadas a sério em três países atualmente: França, Argentina e Brasil. No restante da Europa e nos EUA é considerada uma fábula anticientífica, sendo que há pesquisadores univesitários que dizem com todas as letras que a psicanálise foi o conto do vigário do século XX.

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    2. Considerações interessantes. As vezes fico me perguntando porque esses países latinos aceitaram tanto as ieias de Lacan.

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    3. Patty confie no seu juizo e não se esqueça que todos os analistas não são iguais. Não fique se voce achar que não está sendo ajudada. Acho o tempo logico um perigo no sentido de beneficiar mais o analista do que o paciente.

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  16. oi pessoal eu já tive depressão profunda,e não tinha dinheiro para pagar alguem para mim ouvir,então fazia tratatamento na area pulblica só tinha uns 20,minutos para conversar ,acabei desistindo,confesso que se tivesse dinheiro pagaria o valor que fosse com o maior prazer,do mundo pois,nesses momentos necessitamos,tanto desse profissional,que,só recebe . pelo seu trabalho,é um profissional como outro qualquer.bj,paguem a sessão com prazer,e ame seu psicanalista ele merece;,e lembre que ,quem escolhe esta profissão ama o próximo ,de verdade, podes crer.ele tambem tem seus custos,ex:aluguel,agua,luz,telefone.etc...

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    1. Nem todos analistas são iguais; Tenham cuidado nas suas escolhas e não fiquem com quem não está sendo útil.

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  17. queria saber como entrar em contato contigo. Pois preciso saber mais sobre a profissão pra eu decidir o que cursar na faculdade.
    Se puder entrar em contato
    allanaschmitt06@hotmail.com

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    1. So hoje vejo a sua mensagem. Pode me mandar um e-mail: wefp.bh@terra.com.br.

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  18. Meu caro Dr. Marcio.
    Meu nome é Erivelto Batista,li com grande interesse o seu artigo bem como todos os comentários aqui deixado e quero primeiramente parabeniza-lo pelo mesmo e pela sinceridade com a qual expõe suas observações e opiniões. Sou Terapeuta familiar e Psicanalista e tambem me tenho feito a pergunta: Onde estes profissionais querem chegar? Esqueceram-se que: O TRATAMENTO PSICANALÍTICO deve beneficiar EXCLUSIVAMENTE a quem o recebe e àquele que executa, não devendo se ater jamais a interesses subalternos, ou ser explorado.

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  19. Dr Marcio, achei seu texto justamente por viver um dilema no sentido financeiro, no que se refere a terapia. Comecei com um bom psiquiatra,de cujo atendimento gostei muito. Na época, eu ia uma vez por semana, e pagava as sessões com algumas economias que tinha. Depois de 1 ano e meio, esse dinheiro foi acabando e coloquei essa questão para ele. Por sua vez, meu terapeuta não abriu menor possibilidade de discutir o valor da sessão. Depois, quando não houve mais nenhuma possibilidade financeira, permitiu que eu fosse uma vez ao mês na consulta paga pelo convênio. Acabei abandonando a terapia. Tentei voltar outro dia, para o mesmo terapeuta, mas ele continua da mesma forma, sem negociar. Inclusive, pude perceber a cara dele de desapontamento quando disse que minhas condições financeiras não haviam se alterado. Notei, inclusive, a cara dele de censura porque contei-lhe que havia viajado nas férias, depois de 3 anos sem parar ( e ele com cara de "dinheiro pra viajar você tem). Dessa forma, penso que o próprio pagamento da terapia pode ser um motivo a mais de stress para quem necessita dela, afinal, no meu caso, seriam um dispêndio de aproximadamente 12 mil/ano. Na verdade, o que eu queria colocar foi a sensação de abandono que senti, como se a minha necessidade de continuar o tratamento fosse insignificante.

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    1. Todas a vezes que a gente aceita um paciente para iniciar uma terapia devemos pesquisar com cuidado com o que a pessoa pode arcar. Denttro disso a gente decide se vai ou encaminhar o paciente para outro que cobre menos (mais jovens)e se vai aecita-lo. Uma vez aceito acho que o terapeuta não pode interromper o tratamento se o paciente passa por uma crise aconomica significativa. O preço deve então ser reajustado e . Ninguem está livre disso.

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  20. Gostei muito do texto e tenho um questionamento que acredito já ter a resposta mas vou expressá-lo ao Dr. Márcio e peço que se possível dê seu parecer.
    Não sou psicólogo nem psicanalista, sei que não existe dinheiro nem terapeuta no mundo que fará as coisas por mim, sei que depende somente de mim, sei que tenho minhas verdades mas tbm sei que posso mudá-las a qualquer momento, sei que minha visão sobre mim mesmo é limitada e gostaria de uma terapia onde o terapeuta me mostrasse uma visão diferente da q tenho de mim mesmo, ou seja, mostrasse outras possibilidades de idéias e caminhos para eu poder confrontar com a minha e mudar minha verdade ou não mas vejo que terapeutas insistem em dizer que não pode dar de mao beijada e q temos nós mesmos chegar à conclusão. Vejo que da forma q eu busco seria tipo encurtar caminho que me ajudaria resolver meus dilemas mais rapidamente mas isso implicaria em menos seções e menos dinheiro ao terapeuta, ou seja, de repente será que seria viável pra mim e inviável financeiramente ao terapeuta?
    Aguardo respostas (luisfranope@terra.com.br) e parabéns pelo blog.
    OBS.: sou amigo de uma grande amiga sua dai de BH. *-*

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    1. Geralmente eu me vejo ouvindo o meu paciente e chamando a atenção dele para coisas que eu enxergo e ele não. Acho que é isso que voce esta pendindo. Quanto ao custo eu negocio com cada paciente deixando em aberto uma reajsute para baixo ou paracima conforme a gente vai caminhando.

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  21. Poxa, falou verdades que precisam mesmo serem ditas! Há muitas pessoas precisando de ajuda, e os psiquiatras e psicanalistas foram formados para isso, e não para de alguma forma engana-los! Quero poder um dia me tornar uma profissional da área, sou uma jovem de 17 anos e vou tentar com os vestibulares, se tudo der certo serei uma profissional íntegra que de alguma forma quer ajudar as pessoas.

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  22. É Dr. Márcio, de fato há possibilidades de sobra para esse benefício secundário, da parte dos psicanalistas, e essas possibilidades só aumentaram com elementos como o "tempo lógico", por você mencionado.

    Mas temos de tomar cuidado. O próprio Lacan não estabelecia um valor fixo. O pagamento era tratado de forma única para cada paciente - afinal, cada pessoa tem uma ideia única de "barato" e "caro". E pelo menos um de seus pacientes fez análise sem pagar em dinheiro por anos - o que não é igual, observe, a fazer análise gratuitamente. Conheço analisandos, por exemplo, que pagam as sessões exclusivamente em dinheiro. Outros em cheque. E várias instituições psicanalíticas permitem que estudantes, por exemplo, façam análise com seus analistas por preços baixos.

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    1. Tudo verdade. Obrigado. Eu apenas não confio no chamado tempo lógico, não porque ele nãop seja útil ou não exista. Apenas porque acho que é ele uma grande tentação para o psicanalista justificar as suas ambições monetárias. Perigoso.

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  23. Boa noite, Marcio! Primeiramente, parabéns pelo blog. Achei fantástico o seu texto! Expressa muito do que eu sinto. Nessa semana tive uma decepção com minha analista (lacaniana). Vou viajar por duas semanas, já tinha avisado com boa antecedência, e ela disse apenas agora que eu deveria pagar pelas 5 sessões que teríamos caso não houvesse minha viagem. Foi um choque, não só pela falta de sensatez (ao meu ver), mas também por sentir que o dinheiro era o que realmente interessava ali, e não o paciente. Sou psicóloga, estou me especializando em teoria psicanalítica, e faço análise há mais ou menos dez anos. Já passei por diversos analistas, e volta e meia ainda me pego questionando sobre o real sentido da psicanálise, que fica tão oculto e esquecido diante de tanta ambição material vinda dos profissionais da área. É lamentável. Pensando sobre o assunto, achei seu texto na internet, e enquanto isso reflito se devo ou não dar continuidade ao meu processo de análise com a profissional atual. É desgastante, triste e penoso para qualquer analisando que deseja realmente algo sério na sua análise.

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    1. Antes de mais nada, fale abertamente com a sua analista sobre todos seus pensamentos e sentimentos, inclusive direcionadas ou relacionados com ela. Aí veja como ela lida com isso. Depois disso voce decide.

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  24. Boa noite! Primeiramente parabéns pelo texto.
    Em segundo, tenho vontade de fazer análise apesar de não ter nenhuma questão específica que quero trabalhar, e gostaria de um conselho de como procurar um profissional confiável e de preferência por um preço razoável.

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  25. Um médico falando, ah sim...quando é para os outros ganharem com a cura é injusto, se fosse uma especialidade médica a psicanálise daí seria justíssimo cobrar 400 por sessão de um tratamento tão refinado que vem lá do subconsciente e ninguém mais poderia se entrepor nessa seara com riscos de "causar graves danos a saúde alheia" como estão querendo fazer com a acupuntura ah vá.....cada um cobra o que quiser, livre mercado....cada paciente paga o quanto puder...esse papo bonitinho de defender os pacientes não cola quando vem de um médico. Seo senhor cobrar 50 por uma consulta psiquiátrica seria justo?

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  26. Eu queria muito ser analisada penso que isso me ajudaria mudaria minha vida ou melhor passaria a viver. Mas não tenho condições nenhuma de pagar 400 reais por uma seção.

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  27. Parabéns !!! adorei a matéria. Hoje sou estudande de Psicanálise no qual estou amando cada conteúdo, e saibam que esse curso querer muito atenção e muito comprometimento com o próximo. ainda não estou formada mas em breve estarei sendo uma Psicanálista e quero poder ajudar muitas pessoas e também ser reconhecida pelo meu trabalho. Att Clàudia Mary.

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  28. Parabéns doutor e todos que fizeram comentários relativo a profissão de psicanálise , sou missionário , acabei a faculdade de teologia e estou louco para fazer psicanálise , por favor me ajudem com um concelho , doutor ou os amigos desses comentários , preciso da ajuda de vcs . meu imail : francimarsabara@ig.com.br.

    Celular e whatsapp : 021 98096 7650 . me add no zap . me ajudem , fiquem com Deus, aguardo.

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  29. Eu li o texto e achei bem interessante as colocações que você faz. Eu trabalho com psicanalise lacaniana e sei que dependendo do analista e da instituição a coisa pode se perverter.
    Nas instituições que eu pertenço não é assim que se trabalha. Primeiro a questão do tempo lógico. Eu trabalho como artista plástico também e penso, como eu poderia colocar um tempo para produzir um quadro? Dizer, tenho de fazer um quadro em 10 minutos? Não é assim que funciona, a produção artística é algo que vêm do inconsciente, eu nunca sei quanto tempo eu vou levar fazendo uma pintura.
    E a premissa de Freud, "fale tudo que vem a sua cabeça", que aliás é a única forma de você ver o funcionamento da mente como um todo, eu me pergunto, a gente consegue obedecer isso nas sessões de 50 minutos? O problema de estabelecer um tempo assim, é que a pessoa vai ficar enrolando uns 40 minutos, para nos 10 minutos finais falar do que lhe angústia.
    E análise demora porque é difícil para nós falar tudo que vêm a cabeça. Se você está com vontade de urinar no meio da sessão, você fala? Se você acha seu analista um charlatão ou idiota, você fala isso? Você fala suas fantasias sexuais? Você fala de tudo sexual, mesmo que lhe dê nojo? Se você vê uma notícia sobre incesto e pensa que nojo seria eu transar com meu irmão, você fala disso, desse nojo? Você fala do que faz na cama com a pessoa que transa, as fantasias quando se masturba, a forma como você usa o banheiro?
    Veja, por isso a análise é demorada. A resistência ao inconsciente se apega a tudo que puder. Tudo que não podemos e não queremos falar, é ai que irá ser produzido nossos sintomas.
    O preço de uma análise é algo a ser combinado, mas algo que também faça o paciente dar valor ao processo de análise. Quanto ao tempo lógico, eu sempre calcularia uma meia hora para cada paciente ou 45 minutos. Mas reconheço que muita gente usa o tempo lógico e a questão do dinheiro de uma forma perversa. Por isso a gente tem que estar sempre questionando e se o analista for inflexível procurar outro, claro. Se eu perdi o emprego, meu analista tem que escutar isso e tem de baixar o preço da sessão, senão vou ter de procurar outro analista.
    Teria muito que eu podia discutir sobre dinheiro, mas vou deixar apenas um exemplo. Se discutia lá na minha instituição que a psicanálise não era para gente muito pobre, que ela não funcionava. Pois bem, uma colega nossa começou a atender um morador de rua, um sem-teto. Ele não tinha como pagar, morava sozinho na rua, sem emprego. Mas se notou que ele gostava muito de ler, ele lia muitos jornais que encontrava na rua. Com isso a análise conseguiu fazer um gancho e ajudar ele. No fim ele conseguiu arrumar um emprego, trabalhava sem faltar e conseguiu pagar um lugar para morar. Se demonstrou assim que mesmo com moradores de rua é possível de se fazer psicanálise. Enfim, fale com seu analista, veja quanto pode pagar, discuta o preço se você acha muito caro e até fale no divã se você acha ele um pilantra, vigarista. Se ele for muito inflexível, se ele realmente cobra demais e não quer baixar o preço, procure outro.
    A resistência se apega a tudo que pode. Se você acha seu analista um canalha e não fala sobre isso, você acaba desistindo da análise porque ela é muito angustiante, mexe em coisas que não queremos mexer. Como diz uma colega, quando a pessoa vem e diz, olha, quero falar tudo, menos nesse ponto, nisso eu não quero mexer, falar. Desse assunto eu não quero falar. É exatamente sobre isso que ela não quer falar que ela precisa começar a falar.
    O melhor indício para descobrir onde está o sintoma que causa problemas na vida da pessoa é das coisas que ela não quer falar.

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